Tarde. Como sempre, tarde. Chega tarde...a casa, a todo o lado...à Vida. Chega tarde à Vida. E como em tudo, pé ante pé, num silêncio disfarçado, entra sem fazer ruído, sem ninguém dar por ela, apenas traída pelo perfume que emana e que se espalha no ar que respira como um doce veneno. Fecha os olhos e toca as paredes com as pontas dos dedos.
São os muros que a cercam...muros dentro de muros. Mas o silêncio dos seus leves passos ecoa na vida de alguém que não sabe para onde vai e se entrega ao perfume que se mistura com os sonhos esperando um sinal. Um gesto. Ou as palavras que não são ditas. Ou uma música. Ou um olhar. Ou simplesmente o silêncio que junta as suas vidas num nó cego.
