Que é que há de impensável no que adiante eu "penso"? Não é fácil ou possível sabê-lo, justamente porque é impensável e como tal se me identifica com o pensamento. (...) Assim, o impensável dos textos que se seguem é o que sou enquanto penso e o infinito do que fui e que pensa em mim. (Vírgilio Ferreira, Pensar)
31.3.11
29.3.11
Formatações
Esta coisa da «linha que separa» irrita-me...a brincar a brincar, temos aqui toda uma ideologia de formatação...«o que separa» pressupõe o que se definiu...«o comum» e o «extraordinário», o «bonito» do «feio». Uma linha. Algo visível, definido. Não gosto disto. Aborrece-me esta ingenuidade simplista. Frases feitas que vão mesmo ao encontro dos mais incautos, ou seja, quase todos. Formatações.
28.3.11
Blown by the wind
«We are blown by the wind
Just like clouds in the sky
We don't know where we're going
Don't know why
We just ride with the wind
And we'll drive through the rain
We don't know where we'll get to
Or if we'll get back again
Call along the valley
And you just may find us there
I couldn't say for sure
Because we may be anywhere
Head into the sunset
Or just wander out to sea
Wherever your heart leads you
Is the place you're meant to be.»
(APP)
26.3.11
25.3.11
Aquilo que nos uniu é aquilo que nos separa
Há um resquício pré-evolutivo de carácter telepático que permanece em alguns seres. Aparentemente rudimentar, indefinido e insuficiente revela-se, sem dúvida, tão mais eficaz e genuíno do que a linguagem formal (oral ou escrita) de carácter abstracto que arranjámos para comunicar uns com os outros. No esforço de nos fazermos entender, de nos darmos aos outros, acabamos fonte e alvo de equívocos, mais afastados do que próximos. Nada do que realmente é importante cabe nas palavras. Há um desfasamento incontornável entre o que elas dizem e o que elas querem dizer; entre a intenção e o efeito. Aquém e além. É sempre assim. Na maior parte das vezes viram-se contra nós. Palavras que são ditas e que evocam outras palavras que não são ditas, mas ficam a ecoar no pensamento. E, por sua vez, estas levantam outras e assim sucessivamente. A intenção pode ser sempre a melhor; o efeito, esse, é devastador.
É melhor abrir a porta ao silêncio e deixá-lo falar. Só aí as palavras poderão adquirir o seu real sentido. É esta a grande vantagem dos outros animais em relação a nós. Não se enganam porque não falam. Não esperam. Não precisam disso. Estão muito além. A comunicação é genuína e autêntica. A intenção e o efeito coincidem. Longe das palavras, salvaguardados da dor que elas provocam. Ainda assim, ou porque assim, são tão ou mais capazes de amar. O silêncio. Aquilo que nos uniu é também aquilo que nos separa: as palavras.
24.3.11
20.3.11
19.3.11
18.3.11
Escada
Ainda permanece nos dedos o toque dos caracóis de Ana. Olha para as suas mãos demoradamente. Vira-as para um lado e para o outro.
Estica os dedos. Aproxima-os do rosto. A pele já não é esticada como outrora. Marcas do tempo. Fecha a mão e detém-se nas linhas que os ossos desenham, querendo romper a pele. Umas vidraças e, lá ao fundo, o mar revolto de inverno. Um sorriso e os cabelos. Agora tem isto: uma tira de papel. E uma simples tira de papel traz-lhe a vida e a força revolta dos caracóis de Ana. O perfume que se espalha no ar e a tinge de Vida. A respiração suspende-se como o tempo para, de seguida se retomar, profunda, longa, como se quisesse que aquele aroma lhe inundasse os pulmões e percorresse as suas veias entregando-a a uma vertigem que a transporta para lá das cortinas do tempo. E este aroma que se mistura com o cabelo, mesmo ali, na dança suave dos seus dedos pequenos, devolve-lhe o sentido e entrega-a a uma nostalgia sem fim, à saudade de tudo, aos momentos roubados ao tempo que arrasta consigo. Ana…
17.3.11
Resignação
O pensamento não sossega e os sentidos não se acalmam. Procura-se apenas controlar. De-finir. De-limitar. Mas o silêncio espalha-se como uma bruma gelada que tinge o presente de passado e abre de vazio o futuro. O olhar perde-se nas marcas que perduram, teimosas. Uma aroma inunda o ar que se respira. Ainda agora. Ainda sempre. A resignação, essa, estóica, quase sobre-humana.
15.3.11
6.3.11
Tempo...?
«O que me interessa não é saber se há vida depois da morte, mas sim o facto de haver vida antes. E interessa-me que esta vida seja uma vida boa, não uma simples sobrevivência ou um constante medo de morrer.»
F. Savater
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