Por estes dias falou-se do Enke. Entretanto, um destes dias também, falava-se na televisão de números...dizia-se que, em Portugal e, se não estou em erro, o número de suicídios duplicou. Também um destes dias, um grande amigo meu me mandava uma mensagem sobre isto mesmo. Fez-me pensar, uma vez mais. Quem são estas pessoas? Sim, os Enkes que, por esse mundo fora, decidem que a vida não mais merece ser vivida? Pessoalmente, detesto as visões simplistas e estereotipadas destes assuntos...são bem sérios e merecedores de uma profunda reflexão. Rejeito profundamente aquela ideia apressada, curriqueira e superficial de que quem se suicida foge do mundo...Do meu modesto ponto de vista, com todos os erros de leitura que possa ter, com todas as suas fragilidades, o suicida é só alguém de quem o mundo fugiu. Sim, de quem o mundo fugiu...e porquê? Porque há pessoas que têm uma sensibilidade acima da média e que não podem, nunca, em circunstância alguma ser reconhecidas neste mundo que não tem o as condições para as detectar. Nunca podem pertencer a este mundo. Não são daqui. Um dia descobrem-no. Podem viver com isso. Ou não. Uma grande parte não suporta viver assim. Por isso decide partir, porque também nunca aqui pertenceu. São os Enkes deste mundo...aqueles que vieram cá parar e que o mundo, em vez de agradecer a sua presença e com eles aprender, entregou-se à cegueira tão própria de quem não quer ver e se não quer ver, não pode, não consegue. Respeito profundamente estas pessoas pela sua coerência. Perdemos muito quando elas partem...perdemos oportundidade de aprender a ser mais qualquer coisa. Entretanto, elas já perderam muito mais.
As nossas grades
23 hours ago



