16.11.09

Um pensamento

Por estes dias falou-se do Enke. Entretanto, um destes dias também, falava-se na televisão de números...dizia-se que, em Portugal e, se não estou em erro, o número de suicídios duplicou. Também um destes dias, um grande amigo meu me mandava uma mensagem sobre isto mesmo. Fez-me pensar, uma vez mais. Quem são estas pessoas? Sim, os Enkes que, por esse mundo fora, decidem que a vida não mais merece ser vivida? Pessoalmente, detesto as visões simplistas e estereotipadas destes assuntos...são bem sérios e merecedores de uma profunda reflexão. Rejeito profundamente aquela ideia apressada, curriqueira e superficial de que quem se suicida foge do mundo...Do meu modesto ponto de vista, com todos os erros de leitura que possa ter, com todas as suas fragilidades, o suicida é só alguém de quem o mundo fugiu. Sim, de quem o mundo fugiu...e porquê? Porque há pessoas que têm uma sensibilidade acima da média e que não podem, nunca, em circunstância alguma ser reconhecidas neste mundo que não tem o as condições para as detectar. Nunca podem pertencer a este mundo. Não são daqui. Um dia descobrem-no. Podem viver com isso. Ou não. Uma grande parte não suporta viver assim. Por isso decide partir, porque também nunca aqui pertenceu. São os Enkes deste mundo...aqueles que vieram cá parar e que o mundo, em vez de agradecer a sua presença e com eles aprender, entregou-se à cegueira tão própria de quem não quer ver e se não quer ver, não pode, não consegue. Respeito profundamente estas pessoas pela sua coerência. Perdemos muito quando elas partem...perdemos oportundidade de aprender a ser mais qualquer coisa. Entretanto, elas já perderam muito mais.

Irresistível


Irresistível. Cada vez mais se pronuncia esta palavra. Ela parece saltar de todos os lados, tomar conta das pessoas que a ela sucumbem, pura e simplesmente. Mas parece-me que há aqui um raciocínio vicioso…na realidade, não são as coisas que são irresistíveis, nem as pessoas, nem as situações… elas não têm essa capacidade, não é algo que lhes seja inerente. Não há coisas irresistíveis, mas apenas a nossa dificuldade de LHES resistir, o que é completamente diferente (patologias e todo o tipo de comportamentos compulsivos à parte…). O “carácter irresistível das coisas” dá algum jeito…justifica comportamentos impulsivos e pouco racionais, fomenta neuroses de todo o género, enche de tempo perdido o vazio das vidas de milhares de pessoas que desfilam a sua irredutível solidão nos corredores iluminados e barulhentos de um centro comercial num fim-de-semana chuvoso….

Esse vazio cresce como um cancro incurável que toma conta do corpo. O brilho das coisas que ali estão, despudoradamente, à mercê de um olhar de cobiça entontecem e cegam. Os gestos mecanizados activam-se e os sorrisos que os vidros reflectem ficam tingidos de uma dor que a morfina da fuga proporciona. Irresistível. A auto-determinação não deixou marcas…entregou estes vultos ao momento…e este sugou-lhes aquilo de que eram feitos. Preenche-se o espaço de vazio, sem se saber que agora é um espaço vazio. Irresistível, como tudo o que não se tem a ousadia de controlar.

10.11.09

Strange World...

...não sei onde pára este senhor...é uma voz belíssima e é uma pessoa sui generis, no mínimo...uma excelente música que de vez em quando tenho mesmo de ouvir...deixo-vos aqui Ké...

5.11.09

A essência da Amizade

Encontrei este vídeo no Van...é simplesmente fantástico...

4.11.09

Alma Matters

Esta é uma grande música...se disser muito, estrago...



So : the choice I have made
May seem strange to you
But who asked you, anyway ?
It's my life to wreck
My own way

You see : to someone, somewhere, oh yeah ...
Alma matters
In mind, body and soul
In part, and in whole
Because to someone, somewhere, oh yeah ...
Alma matters
In mind, body and soul
In part, and in whole


So the life I have made
May seem wrong to you
But, I've never been surer
It's my life to ruin
My own way


You see : to someone, somewhere, oh yeah ...
Alma matters
In mind, body and soul
In part, and in whole
Because to someone, somewhere, oh yeah ...
Alma matters
In mind, body and soul
In part, and in whole


To someone, somewhere, oh yeah ...
Alma matters
In mind, body and soul
Part, and in whole
So to someone, somewhere, oh yeah ...
Alma matters
In mind, body and soul
Part, and in whole


To someone, somewhere, oh yeah ...
Oh yeah ...
Oh yeah, oh yeah
Oh yeah ...

3.11.09

E ainda..

...ainda em jeito de rescaldo e depois de Transmission, ficou esta a tocar dentro da cabeça...quem sabe o Peter Murphy não faz na próxima visita uma cover deste She's Lost Control...


2.11.09

O Relatório Possível

Não podia ter sido melhor. Não, mesmo. Este concerto teve, ainda por cima, uma mais-valia: a acústica da sala: O som esteve magnífico e confesso que fiquei envolta numa magia própria ao longo de mais de 2h de concerto. Foi difícil manter-me quieta na cadeira, mas ao mesmo tempo senti que quase nunca estive ali sentada! A escassos metros do palco (3ª fila), a potente e sempre afinadíssima voz do Peter Murphy, arrepiava.
Do ponto de vista do alinhamento, foi como em Lisboa. Gostei bastante de Lettie que abriu o concerto e tocou cerca de meia hora…achei-a muito talentosa e, sobretudo, muito entregue ao que fazia. Não sei como situá-la…diria que anda assim entre a Tori Amos e a Elizabeth Frazer…a Bjork…não sei…não sou especialista. Quanto ao Murphy, passavam 3 min das 23h quando, surpreendentemente, entrou em palco ao som de Things to Remember que é uma faixa demasiado especial. Fiquei, também , agradavelmente surpreendida com as faixas novas, em especial Secret Silk Society que me agarrou pelo ritmo e pela letra. As covers, essas, excelentes…Transmission pôs toda a gente a abanar-se na cadeira e Space Oddity, no final, com o Murphy e o guitarrista deitados no chão, com o toque único que Murphy deu foi…como direi? Divino!...

A verdade é que continuo a ser surpreendida em cada concerto do P. Murphy…a performance dele em palco é avassaladora: a energia, o charme, a classe, uma capacidade de falar em cada movimento, em cada olhar…enfim…fabuloso…é mesmo caso para dizer, como ele tão bem cantou, Time Has Got Nothing To Do With It!

Depois é sempre reconfortante fazermos parte de uma audiência como a que estava lá…é sentirmo-nos em casa, junto daqueles que falam a mesma língua que nós, simples anónimos com os quais nos cruzamos na rua sem conseguirmos antever os fios que nos unem. A audiência do Murphy é, efectivamente, mais heterogénea do que de Bahaus, mas mesmo assim se nota que quem lá vai sabe bem ao que vai…não vai por acaso..conhece bem a carreira do Murphy, sabe as músicas de fio a pavio. É como chegar a casa, entrar numa sala cheia de gente, uma verdadeira mancha negra arrepiante que sente cada palavra do Peter Murphy, como se saísse de si. É claro que encontramos a “facção Cuts you Up” e a “facção Things to Remember”, mas estamos sempre a falar da mesmo registo.

Apesar da solenidade da sala, apesar das cadeiras serem castrantes, a verdade é que o pessoal lá se foi abanando, cantando e os dois encores foram, literalmente, acompanhados por um público ao rubro, aos saltos e a cantar (cadeiras??). Space Oddity foi um momento mágico que atravessou toda a sala. Não há mais palavras…vim para casa com uma sensação de plenitude, de alegria e, sobretudo de reencontro. Fico a espera da próxima onde, invariavelmente, estarei presente.
Fotos excelentes estão aqui

1.11.09

Ontem foi assim


Pois, parece que foi um espectáculo e tanto, como sempre, óbvio. Em Lisboa foi assim: http://blitz.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=bz.stories/53605


Mal posso esperar por logo à noite!


30.10.09

Opções (?!) de escaravelho, Parte II e última

É assim. Não resisti. Ontem à noite o Michael choramingou para voltar à rua (a vida dele resume-se a quatro pilares fundamentais: comer, dormir, cheirar ervinhas e alçar a perna e exactamente por esta ordem!). Tenho dificuldade em resistir a estes seus pedidos quando ele se senta junto da porta a olhar para mim com as orelhas coladas à cabeça e aquele ar de “pedinte”. Pensei que era uma boa oportunidade para verificar o estado do escaravelho. Passei pelo mesmo sítio e lá estava, exactamente no local onde o havia deixado “direito” (sim, entre aspas, porque podemos questionar afinal, o que é isto de estar “direito” ou de estar “de pernas para o ar”…no fundo, não são mais do que perspectivas), mas novamente de patinhas para o ar. Ui!!!! Será que, afinal, o bicho está apenas a exercitar o abdominal, numa versão que poderíamos chamar “Pilates para Escaravelhos”? E se fosse?
O que pode haver de pior do que interromper o exercício físico de alguém?
Pois…Dei uma volta, trouxe o Michael para casa porque achei que aquilo exigia uma análise mais minuciosa. Lá voltei ao escaravelho munida de material: papel e palitos (trabalho de campo!). Pus o bichito outra vez “direito” (ou será que pus ao contrário???). Fiquei lá um bocadito à espera de ver o que acontecia (ele podia atacar-me enfurecido, investir os seus corninhos na minha pessoa e eu ser a primeira criatura a sofrer o ataque furioso de um escaravelho de 15mm!...). Não me pareceu ter nada de anormal, embora uma patita me desse a ideia de ser mais pequena o que, eventualmente, poderia ajudar a desequilibrar aquele corpanzil…será? A verdade é que Pilates para Escaravelhos ou suicídio, o escaravelho não foi bem sucedido.

Resolvi deixar que a natureza lhe proporcionasse a ajuda necessária (quase que isto parecia o trabalho de Bioética que fiz sobre a relação médico-paciente e o papel da natureza no processo de cura…tchiiii..). Coloquei-o, então, no meio de umas ervas e assim o próprio movimento da diversa bicharada que anda por lá, ou até o vento, poderão dar uma ajuda quando ele ficar de patas para o ar, ou ao contrário…confesso que já não sei qual é a posição do escaravelho!!!... Curioso…um simples escaravelho passou a protagonista de uns textos num blogue supostamente pensante …não vou voltar a espreitar o escaravelho…tenho de o deixar SER!...

Nota: Ah!! Esta foto não é a DESTE escaravelho (foi ontem à noite que o vi pela última vez...), mas garanto que é exactamente assim...imaginem-no apenas de patitas para o ar!!

29.10.09

Opções (?) de escaravelho...


Pela 3ª vez, num espaço de dois dias, salvei a vida a um escaravelho. Não volto a tentar salvar-lhe a vida. Começo a pensar que o escaravelho deve ter, como qualquer ser animal, direito a decidir sobre a sua morte! Inicialmente, pensei que apenas estava virado de patas para o ar e, dado que era grande, que não se conseguia voltar…isto foi ontem de manhã. Com alguma paciência e ajuda da chave de casa, virei o bicho, pu-lo direito e segui caminho com o Michael, como habitualmente. Hoje, novamente de manhã, ao passar pelo mesmo sítio com o Michael, lá vi desgraçado do escaravelho virado de patas para o ar, mais ou menos no mesmo lugar do dia anterior. Bolas! Outra vez? Lá fiz a mesma manobra. Ficou outra vez direito. Coitado, pensei…ou é velho, ou está com algum problema nas patas, ou…não ” fecha bem a mala”. Acontece nas melhores famílias, mesmo nas de escaravelhos. Fiquei intrigada. Há pouco, quando cheguei a casa e saí para o passeio com o cão dei, de novo, com o escaravelho virado de patas para o ar. Ainda?? Lá voltei à operação rotineira de o pôr direito e, desta vez, até o pus em cima da berma de um passeio recuado para ter certeza de que aquilo não é um acto voluntário de suicídio. A verdade é que não volto a virá-lo se, amanhã, ele ainda estiver por lá. Quem sou eu para decidir por ele se deve ou não estar de patas para o ar, se a vida (de um escaravelho) merece ou não ser vivida!...Terá os seus motivos…não os temos todos? É claro que nem sequer coloquei a hipótese daquilo ser pura diversão…vendo bem…acho que o escaravelho me olhou meio de lado, aborrecido, entediado com a minha presença invasora…será???

25.10.09

Who Am I?...

...hoje é assim...deixo-vos com esta bela música, tecida com uma bela letra...CRESTFALLEN



Who am I to need you when Im down
Where are you when I need you around
Your life is not your own

And all I ask you
Is for another chance
Another way around you
To live by circumstance, once again

Who am I to need you now
To ask you why to tell you no
To deserve your love and sympathy
You were never meant to belong to me

And you may go, but I know you wont leave
Too many years built into memories
Your life is not your own

Who am I to need you now
To ask you why to tell you no
To deserve your love and sympathy
You were never meant to belong to me

Who am I to you?
Along the way
I lost my faith

And as you were, youll be again
To mold like clay, to break like dirt
To tear me uo in your sympathy
You were never meant to belong to me
You were never meant to belong to me
You were never meant to belong to me

Who am i?