13.11.11

O peso dos passos

Dias há em que se nos enchem de peso os passos. A extensão infinita de areia que nos preenche o horizonte revela-se na sua impossibilidade. E nem o vento que de feição nos empurra para a frente, consegue levantar os pés quase enterrados na areia. Olhamos para eles como se não nos pertencessem, pedaços que já não são e que, por isso mesmo, nos impedem de sair dali. Não só se enterram no passado; enterram-se no futuro.
As pegadas deixadas para trás já se diluíram no sabor das ondas que vão e voltam. Ninguém nos pode seguir, ninguém nos pode encontrar. Ninguém sabe de onde saímos, que percurso fizemos, que lugar é este onde nos encontramos. Caminhamos sozinhos. Como se nunca tivéssemos saído. E nada muda nas ondas que vão e vêm indiferentes a tudo o resto.



2 comments:

Sandra said...

Even that, I still walking... why?

IM said...

...because you do believe in miracles, but you just don't know that...yet...