7.12.11

O Medo



Tememos tantas coisas e tantas outras julgamos ou dizemos não temer por entendermos ser um qualquer sinal de fraqueza quando, no fundo, a única coisa a temer somos mesmo nós próprios. Porquê? Vejamos um exemplo: tememos falhar ou tememos errar. Entendemos que há uma dimensão da falha ou do erro que está fora do nosso controle e tememos não ter condições para sermos bem sucedidos, certo? Todavia em função de quê e em que proporção se define o erro ou a falha? Em última análise, em função de nós mesmos, já que somos nós que definimos o patamar que corresponde ao êxito e a linha abaixo da qual estamos no domínio do fracasso. Definimos o que é erro e o que é falha em função das expectativas que depositamos nas coisas que fazemos e em função do que entendemos ser bom ou mau e do que os outros esperam de nós. Se eu, por exemplo, prometer emprestar um livro a uma amiga com quem me vou encontrar e me esquecer de o levar, isso só é uma falha na exata medida em que eu tinha a expectativa de levar o livro e não me esquecer e, a amiga, a expectativa de que eu o levasse. Sentir-me mal por me ter esquecido e sentir que falhei dependem disto. Se não apostasse na quase impossibilidade de me esquecer não sentiria tão rotundamente a falha. Não estou, com isto, a querer dizer que o fracasso ou o sucesso estão, deste modo, entregues à pura subjetividade, longe de regras e convenções! De modo algum…o que estou a querer dizer é que a dimensão subjetiva do fracasso ou do êxito dependem, em muito, de nós. E o que é que isto tem que ver com medo? Tudo. Somos nós que definimos, em função de tudo isto, os fantasmas que nos habitam, ou os monstros que nos corroem. Fomos nós que os deixámos entrar, ganhar terreno, ditar as regras. Ou fomos nós que convencidos da incapacidade de ultrapassar fracassos e frustrações, fomos alimentando os pequenos monstros que cresceram à nossa revelia. E tudo sempre em virtude de que previamente definimos como metas, do que estabelecemos como expectativas tantas e tantas vezes minadas pela insegurança, pelo medo e pelas expectativas dos outros em relação a nós. E os fantasmas chamam fantasmas, e os medos chamam medos numa catadupa cumulativa que toma forma em nós sem nos darmos conta. E é de nós que temos de ter medo, porque é no mais fundo de nós que ele reside e é do nosso interior que ele se alimenta.

7 comments:

Sandra said...

Eu não acrescentaria mais nada ao texto. É verdade. O interior de nós comanda-nos. Uma melhor ou pior gestão do nosso interior condiciona o nosso desempenho em tudo. Condiciona-nos porque vamos criar expectativas com também todos aqules medos. "The answer lies within."

- inkheart said...

mas às vezes esses monstros entram e apoderam-se sem nós darmos conta. ou não ?

IM said...

Dra. Sandra, minha querida e adorada sobrinha, como anda a menina???? Que saudades!!!! Que raio de tia sou eu que nunca te vejo??? eehehh...«The answer lies within». Damn true...

IM said...

Sim, Daniela...sobretudo, esses são os tais que são chamados por os fantasmas que já lá estão...digamos que temos uns «monstros residentes» que chamam outros...

- inkheart said...
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Joan said...

Será que é daqui , deste acreditar (juntamente com uma feitiçaria qualquer), que resultam os pózinhos? Ahm....

IM said...

Sort of, Joaninha...ehehehh...os pozinhos vêm daí, sim, ou seja, todos podemos produzi-los...com calma, claro, porque senão...zááásssss..podem fazer desaparecer coisas!!!! eheheheh