11.10.11

Fake sparkle or golden dust?

As coisas têm a importância que nós lhes damos. Não há coisas importantes «em si». As coisas são ou não importantes «para alguém». Quando muitas pessoas, ou quase todas dão importância a uma coisa tendemos, erradamente, a pensar que essa coisa tem, «ela mesma», importância. É importante. Percebo a ideia, mas não concordo. Poderá alguém dizer «ah, mas se toda a gente dá importância a y, então é porque y é importante. O próprio y, com as suas características». Não, não penso que seja assim. Também isso é uma questão de aprendizagem, é uma questão cultural e até psicológica. Aprendemos a dar importância a y. Crescemos com os outros a dar importância a y, como se y fosse, ele mesmo, importante. Noutras circunstâncias, noutros contextos, y não teria importância alguma. O mesmo y. É uma questão de foco. É do ponto de vista do observador que se trata e não do observado. Muda-se o foco, muda a perceção. Crescemos convencidos da importância de algumas coisas e da inutilidade de outras. Pensamos que algumas são de tal modo importantes que fazem parte do quadro em que nos movemos. Quando arriscamos mudar as peças de lugar, percebemos a sua fragilidade. De todas. Sem exceção. Y parecia protegido pela importância reconhecida, mas pode revelar-se apenas naquilo que ele é em si, ou seja, nada. Cabe-nos a nós fazer das coisas alguma coisa. Arriscamo-nos a construir um mundo objetivamente inútil, sem reconhecimento exterior quando queremos que as coisas signifiquem o que queremos que signifiquem e não o que nos ensinaram que «significam». Mudar o foco do olhar é sempre virar o mundo às avessas .«It’s the end of the world as we know it».

1 comment:

common courtesy said...

Concordo plenamente com o que dizes. Não há coisas "importantes". Nós fazemos delas "importantes". Por exemplo, neste momento, algo importante, quase cisma, é o meu objetivo de escrever com a esquerda. Daqui a uns meses isso já não será importante. E "na próxima aula é importante que tragam os trabalhos". Serão os trabalhos realmente importantes, ou foi a sociedade que, juntamente com o ensino, os classificou como importantes? Não será mais importante, por exemplo, ir dar um abraço àquele mendigo que, sozinho na noite escura, não tem dinheiro nem para uma sandes? E a loucura, a alegria, a capacidade de brincar com tudo, aproveitar a vida, fazer as coisas mais loucas... é importante? Costumo ouvir muitas vezes "és maluca", "não bates bem". O que é, afinal, ser normal? Quem disse que não é importante ser assim?
É impossível alguma coisa ser importante porque, algures no mundo, alguém acha que não é.
bj ;)