29.7.14

A janela...


Não era preciso ser um sítio em particular. Nem nunca tinha pensado nisso. Até podia ser só um estado de alma. Ou um sentimento. Ou qualquer objeto onde pudesse fixar o olhar. Coincidir com alguma coisa. Era isso o que procurava. Naquele preciso momento. Pensava nisto, enquanto do lado de lá do vidro cheio de pó, a vida circulava confusa, vibrante, mas vazia e alheia à sua própria existência. E se aquele vidro fosse tudo? Sim…se aquele vidro separasse os seus pensamentos da vida vazia lá fora? E se aquele vidro fosse a diferença entre existir e querer ser alguma coisa? Não…era só um vidro….mas um vidro que separava o oxigénio que todos partilham, do peso dos dias que ninguém ousa carregar.  Esfregou os olhos lentamente, respirou fundo e sentiu que as palavras se lhe entalavam na garganta. Tapou os ouvidos, fechou os olhos. Um suspiro arrancado lá de dentro embaciou o vidro. E a vida ficou mais longe. E o ar mais quente. E os sonhos, esses…irrespiráveis.

1 comment:

- inkheart said...

Estou sempre esperançosa que, um dia, estes raros sinais de vida durante o coma profundo se tornem mais frequentes e o "Pensar" renasça de uma vez!!!