9.5.11

What If...

Outro dia, no meio de uma aula, uma aluna perguntou-me se eu achava que «a vida era feita de ‘ses’». Lembrei-me disto, hoje outra vez, quando vinha da escola e depois de uma aula que dei ao 11ºB. A pergunta da aluna voltou à minha cabeça. Lembro-me de um silêncio que se fez entre a pergunta dela e a resposta que dei. Ficou ali qualquer coisa no intervalo que eu cortei com um «não, não pode. Se for feita de ‘ses’ ficamos paralisados, prisioneiros de um passado que quer deitar cartas no futuro». Depois expliquei, claro, o que pretendia dizer com isto. A vida não pode ser feita de «ses». Nunca teremos como saber «o que seria se…». Cada decisão tomada no passado, cada simples acção define um caminho e elimina alternativas. Só ilusoriamente elas continuam lá depois de optarmos. Perdem-se para sempre. Uma palavra que se disse, outra que não se disse. O que se pensou e alterou. O que não se pensou e não interferiu. O sentir preciso daquele momento. O fluir do tempo sob a nossa impotência. O peso de pensarmos que poderia ter sido de outra forma. Mas não podia. Naquele momento preciso fizemos a única coisa que poderia ser feita, a única que parecia correcta, naquele contexto, naquela teia de momentos. «E se» eu não tivesse pensado outras possibilidades? «E se» estava a construir expectativas sobre o que idealizei? Quantas e quantas vezes estas questões martelam na nossa cabeça…inutilmente. Nunca poderemos saber e não interessaria saber mesmo que pudéssemos. Os castelos de sonhos que construímos, as imagens distorcidas que formamos na nossa mente ao sabor dos nossos desejos, da nossa vontade, do que sentimos. Nunca poderemos saber. A vida não é, nem pode ser feita de «ses». Apenas nos resta carregar com o peso do que acreditámos ser possível, mas sem o «se». Antes a mágoa, a dor, o peso. Mas não o «se». Como tão bem diria o Sartre, «não interessa o que os outros fizeram de nós, mas o que nós mesmos fazemos com o que os outros fizeram de nós». Rematei com esta frase. A banda sonora não estava disponível na aula, mas segue aqui…uma espécie de «post mortem« da aula.



4 comments:

Sandra said...

Ora nem mais! Inevitavelmente, digo eu, tendemos para o "e se"... Se calhar achamos que se pensarmos muito sobre o que poderia ser e não foi, adivinhamos o que poderia ao certo ter sido. Não está bem... Não, a vida não pode, não deve mesmo ser feita de "ses". Mais pobres de nós, humanos, ainda!

Por outro lado, este post fez-me viajar no tempo e parar nas aulas de filosofia. Que saudades! Stora, eu acho que um dia destes vai ter uma visitinha!!! :)))

Sandra said...

Ora nem mais! Inevitavelmente, digo eu, tendemos para o "e se"... Se calhar achamos que se pensarmos muito sobre o que poderia ser e não foi, adivinhamos o que poderia ao certo ter sido. Não está bem... Não, a vida não pode, não deve mesmo ser feita de "ses". Mais pobres de nós, humanos, ainda!

Por outro lado, este post fez-me viajar no tempo e parar nas aulas de filosofia. Que saudades! Stora, eu acho que um dia destes vai ter uma visitinha!!! :)))

IM said...

Olá, Sandrinha, my dearest niece!
As aulas de Filosofia...pois também eu tenho saudades...tantas!!! Já viste o que era esse 12ºA numa aula de Filosofia? Aquilo que poderia rasar a perfeição!!! Pois...olha, tu nunca tens possibilidade de aparecer à 2ª (último tempo da manhã) ou 5ª (10.15-12h)? Aí apanhavas o 11ºB que é uma turma muito interessante e eu estou precisamente a falar de sentido...

Beijinhos!!!

Sandra said...

Oh, tenho aulas... Apesar de que à 2ª ao último tempo é AP e à quinta a essa hora é igualmente AP. AP condena a minha vida!!!! Tem de meter uma cunha à stora Antonieta, pode ser que resulte eheheheh nem que seja para assistir assim a uns 45 minutos finais da aula (que é depois de os alunos aquecerem)...