22.6.11

Precisamente porque queremos (?)

Até que ponto certas coisas são mesmo necessárias na nossa vida? Podemos sempre perguntar. Até que ponto confundimos a necessidade dessas coisas com a vontade de as ter? Com que objectividade ou rigor conseguimos separar as coisas que queremos das coisas de que precisamos? Tantas, mas tantas vezes confundimos uma coisa com a outra! Talvez queiramos as coisas e, então, justificamo-nos com a sua necessidade, ou talvez apenas necessitamos das coisas, mas inconformados com essa mera necessidade, lhe acrescentemos o querer...só para dar a «ilusão» de liberdade, do «eu quero». Ou será que, no limite, apenas necessitamos do que efectivamente queremos e uma coisa nada tem que ver com a outra? Aquilo que eu queremos faz-nos felizes. Aquilo que não queremos, não faz. Queremos e, por isso, precisamos das coisas. Se deixarmos de querer, deixamos de precisar delas. Deixam de ter lugar no meio das nossas necessidades. Mas o que nos faz querê-las senão a noção de que é disso que precisamos? Que nos são imprescindíveis, inadiáveis? Queremos e necessitamos. Conceitos que parecem provir de esferas distintas - uma, a da liberdade e a outra, a da inevitabilidade - mas que se cruzam, misturam e tendem a ser umaPres só, ou realidades distintas que mantemos, teimosamente separadas, no sentido de nos justificarmos.

1 comment:

daniela fernandes said...

A minha irmã tem de ler isto. É que ela gosta de "pedinchar" coisas ao meu pai e ele pergunta-lhe "queres isso para quê?" e ela, normalmente, fica sem resposta ahaha