Entre ter tudo e não ter nada, nem sempre há meio-termo, porque o meio-termo acaba por tender para o tudo, quando tudo o que nos espera é apenas nada.
Às vezes não é possível recuar, não é possível voltar atrás, porque já se percorreu um longo caminho. Às vezes não é possível voltar ao início, antes de tudo Ser, à origem, porque já não somos os mesmos do início, da origem, porque da origem se fez caminho e do caminho nasceram as diferenças.
Olhamos para o caminho percorrido e sabemos que nunca, em caso algum, podemos percorrê-lo no sentido inverso. Sabemos, igualmente, que nada há à nossa frente. Este é o ponto da imobilidade.
Não podemos recuperar o que tínhamos, porque o que temos agora é tão maior do que o que tínhamos e nunca teremos o que queríamos. É com este peso, quase insuportável, adensado por visões diferentes do que é sentir, que nascem os dias que se vêem morrer no horizonte sempre iguais.
Não há meio-termo. Tendemos, inevitavelmente, para o tudo, quando tudo o que nos espera é nada.
O caminho faz-se agora da consciência acordada do sentir que se carrega. O por fazer, o por dizer, o por ser, marcam o passo lento dos pés doridos na calçada íngreme, onde o sonho longínquo ainda faz nascer as lágrimas que se perdem na nostalgia do que não foi.

1 comment:
Não há meio-termo. Tendemos, inevitavelmente, para o tudo, quando tudo o que nos espera é nada.
Já diz a sabedoria popular que "Quem tudo quer, tudo perde".
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