25.7.11

Processing data

«...the wrong method with the wrong technique».
DM


2.7.11

If you catch my glance

Há coisas que são o que são tal e qual como são. Nada podemos fazer para as mudar sem lhes tirar o brilho. Marcam o limite do nosso poder. Intocáveis. Únicas. Absolutas. Reconhecê-lo é um passo de gigante. Aceitá-lo é sublime. Peter Murphy diz isso aqui, assim, como ninguém. Esta música é para sentir na pele. Não é para ouvir. É para tocar com a ponta dos dedos…



22.6.11

Precisamente porque queremos (?)

Até que ponto certas coisas são mesmo necessárias na nossa vida? Podemos sempre perguntar. Até que ponto confundimos a necessidade dessas coisas com a vontade de as ter? Com que objectividade ou rigor conseguimos separar as coisas que queremos das coisas de que precisamos? Tantas, mas tantas vezes confundimos uma coisa com a outra! Talvez queiramos as coisas e, então, justificamo-nos com a sua necessidade, ou talvez apenas necessitamos das coisas, mas inconformados com essa mera necessidade, lhe acrescentemos o querer...só para dar a «ilusão» de liberdade, do «eu quero». Ou será que, no limite, apenas necessitamos do que efectivamente queremos e uma coisa nada tem que ver com a outra? Aquilo que eu queremos faz-nos felizes. Aquilo que não queremos, não faz. Queremos e, por isso, precisamos das coisas. Se deixarmos de querer, deixamos de precisar delas. Deixam de ter lugar no meio das nossas necessidades. Mas o que nos faz querê-las senão a noção de que é disso que precisamos? Que nos são imprescindíveis, inadiáveis? Queremos e necessitamos. Conceitos que parecem provir de esferas distintas - uma, a da liberdade e a outra, a da inevitabilidade - mas que se cruzam, misturam e tendem a ser umaPres só, ou realidades distintas que mantemos, teimosamente separadas, no sentido de nos justificarmos.

16.6.11

Insubstituível

É muito difícil explicar o quanto gosto desta peça...é magistral. Foi a banda sonora de muitas e muitas horas de estudo em Coimbra, de muitos textos e pensamentos...não há como substituir isto por outra coisa. Jarrett é genial...vou e venho, percorro músicas e bandas, e todas muito boas, com toda a certeza...mas volto sempre aqui. Sempre.


11.6.11

Noise

De que te lembras quando te lembras? Que traço é esse na memória que te acorda?
O que esperas quando já não esperas? De que esperas são feitos os teus dias?
Quantos cheiros e fios de cabelo passeiam ainda por entre os teus dedos?
Que palavras te atordoam? Te paralisam? Te assaltam?
Que sonhos arrastas para além do sonho, nos momentos em que a lucidez se faz de imagens?
De que palavras foges? De que sentidos te escondes?
Onde é o precipício, essa vertigem de nada para onde a gravidade puxa?
Onde está o ar gelado das alturas que quebra as tuas asas?
De onde me falas quando te ouço?

7.6.11

Quando o mundo nos leva para longe de nós...

(não aprecio Mafalda Veiga, ou melhor, não gosto, mas algumas letras são fabulosas...estas linhas, em particular, dizem-me muito...)

Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve para longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num gesto só...

Eu vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu...
(M.Veiga)

5.6.11

Aguardando os resultados eleitorais...



Voar...

Este é um post quase repetido, mas hoje, hoje pareceu-me fazer tanto sentido...fica aqui de novo....

Mudar o foco do olhar…
Sentir que nada mais há do que o horizonte longínquo
que os pensamentos sobrevoam…
E fica o rasto de uma música feita nas estrelas
e o ar que se respira na alma…


31.5.11

What darkness is about

The depth of darkness to which you can descend and still live is an exact measure of the height to which you can aspire to reach


24.5.11

Ensinamentos

Faz hoje 11 anos que o meu pai morreu. Para além da inevitável saudade com que o recordo, lembro-me amiúde de algumas coisas que me ensinou ou, pelo menos, procurou ensinar. Coisas que, pelo facto de sermos parecidos, ele me procurava passar no sentido de eu me proteger e ser feliz. Pequenos ensinamentos. Dicas preciosas cujo alcance nem sempre estive à altura de entender, quer pela idade ou pelas circunstâncias. Há uma coisa de que em particular me lembro muitas vezes e que nos últimos tempos tem estado bem presente…o meu pai dizia-se «pensa em tudo o que dizes, mas não digas tudo o que pensas». Há coisas que devemos guardar para nós mesmos, dizia-me. O meu pai era uma pessoa espontânea, sem ser impulsiva. Quando gostava de alguém, gostava mesmo e achava que tinha de fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para poder ajudar essa pessoa em qualquer circunstância. Ou seja, o meu pai era uma pessoa que se dava a poucos seres, mas que verdadeiramente se dava quando se dava. Este seu precioso ensinamento não tem sido fácil de levar a cabo, essencialmente no que diz respeito à segunda parte. Efectivamente, penso no que digo. Sem dúvida. Não sou daquelas pessoas que num dado momento e num qualquer acesso de raiva deixam que tudo lhes saia pela boca para depois mais tarde se desculparem, ou dizerem que não era bem aquilo que queriam dizer quando disseram o que disseram. Não. As coisas raramente me saem pela «boca fora». Penso no que digo. Todavia, a segunda parte do ensinamento é mais difícil de cumprir: não dizer tudo o que penso. E é óbvio que me refiro às pessoas em quem confio, pessoas que são significativas para mim, ou de quem gosto. As outras nem me ouvem falar e não fazem a mais pálida ideia do que penso ou deixo de pensar. Mas em relação às pessoas de quem gosto verdadeiramente, é difícil não dizer tudo o que penso. Entendo que se gosto delas e elas de mim, só tenho é de ser autêntica, genuína. E isto seria perfeito se as pessoas realmente me conhecessem e soubessem que tudo o que podem esperar de mim. Se assim fosse, saberiam que tudo o que lhes digo só o digo porque gosto delas e tenho um único objectivo: ajudar. Infelizmente, nem sempre é este o cenário. Há pessoas que querem que eu diga o que penso desde que o que eu penso seja o mesmo que elas pensam. Aqui as coisas complicam-se. E é nesses momentos que percebo que nem todas as pessoas de que eu gosto e que supostamente gostam de mim, querem mesmo saber o que eu penso. E, se calhar, nem merecem esta minha preocupação ou o meu cuidado, até porque estão demasiado preocupadas com elas próprias. O que eu penso não lhes interessa…não, se não for aquilo que elas pensam. Então desatam a ver intenções onde elas não existem e atiram pedras em todas as direcções, prova cabal de que não entenderam nada e, pior, que não parecem saber quem sou. Então, pergunto-me: por que lhes hei-de dizer o que penso? Pior: por que raio achei eu que elas me conheciam? Por que raio achei eu que elas iriam apreciar o que digo, ou penso, ou comento? E isto remete-me, inevitavelmente, para um outro ensinamento do meu pai, não menos verdadeiro do que anterior: «espera tudo de ti, mas muito pouco dos outros».
Adoro-te, Pai.

23.5.11

O Pasmo

Às vezes pensamos que merecíamos um beijo ou um abraço e levamos um valente estalo. Um estalo de tal maneira inesperado que ficamos ali uns segundos a tentar perceber o que aconteceu, se nos era mesmo dirigido. E então percebemos que era. Era mesmo para nós. Surpreendentemente. O que fica a doer nem é o estalo, mas o pasmo, o pasmo de pensar que tal era impossível. Mas é um «toma, que é para aprenderes». E se se aprende…da pior maneira. Uma espécie  «the wrong method, but the right effect».

17.5.11

Weird

Um cansaço. Um tédio. Um entorpecimento generalizado. Uma incapacidade de pensar claro. Uma espécie de anestesia mal dada que corta a relação com o mundo. Estou completamente descolada da realidade. Quase fantasmagórica. Etérea. Vinda não sei de onde. Os sons chegam-me diluídos, deturpados como se estivesse imersa. O pensamento está desfeito em franjas desconexas que se procuram entrelaçar. Os olhos ardem-me e pulso está basicamente indetectável. A cabeça parece-me fora do corpo e o corpo fora de mim. A caneta desliza a custo no papel desenhando uma caligrafia completamente imperceptível. Isto deve ser o que de mais perto existe de um mergulho num qualquer estado abstracto de consciência. Tudo me pesa, hoje. Como se o mundo tivesse decidido descansar sobre os meus ombros. Tudo me parece fora do sítio. Desalinhado. Imensamente turvo. Os livros nas estantes. Assimétricos. Os papéis espalhados na secretária à espera de ordem para se enfiarem em qualquer sítio longe da vista. Os dedos deslizam quase surdos sobre o teclado. Sem precisão, trapalhões e negligentes. Descansam em teclas vizinhas tornando caótica a escrita.  Arrastada. Monótona. Repetitiva. Senseless.

12.5.11

Barbed Wire



Meaning and reality were not hidden somewhere behind things, they were in them, in all of them.

Hermann Hesse

9.5.11

What If...

Outro dia, no meio de uma aula, uma aluna perguntou-me se eu achava que «a vida era feita de ‘ses’». Lembrei-me disto, hoje outra vez, quando vinha da escola e depois de uma aula que dei ao 11ºB. A pergunta da aluna voltou à minha cabeça. Lembro-me de um silêncio que se fez entre a pergunta dela e a resposta que dei. Ficou ali qualquer coisa no intervalo que eu cortei com um «não, não pode. Se for feita de ‘ses’ ficamos paralisados, prisioneiros de um passado que quer deitar cartas no futuro». Depois expliquei, claro, o que pretendia dizer com isto. A vida não pode ser feita de «ses». Nunca teremos como saber «o que seria se…». Cada decisão tomada no passado, cada simples acção define um caminho e elimina alternativas. Só ilusoriamente elas continuam lá depois de optarmos. Perdem-se para sempre. Uma palavra que se disse, outra que não se disse. O que se pensou e alterou. O que não se pensou e não interferiu. O sentir preciso daquele momento. O fluir do tempo sob a nossa impotência. O peso de pensarmos que poderia ter sido de outra forma. Mas não podia. Naquele momento preciso fizemos a única coisa que poderia ser feita, a única que parecia correcta, naquele contexto, naquela teia de momentos. «E se» eu não tivesse pensado outras possibilidades? «E se» estava a construir expectativas sobre o que idealizei? Quantas e quantas vezes estas questões martelam na nossa cabeça…inutilmente. Nunca poderemos saber e não interessaria saber mesmo que pudéssemos. Os castelos de sonhos que construímos, as imagens distorcidas que formamos na nossa mente ao sabor dos nossos desejos, da nossa vontade, do que sentimos. Nunca poderemos saber. A vida não é, nem pode ser feita de «ses». Apenas nos resta carregar com o peso do que acreditámos ser possível, mas sem o «se». Antes a mágoa, a dor, o peso. Mas não o «se». Como tão bem diria o Sartre, «não interessa o que os outros fizeram de nós, mas o que nós mesmos fazemos com o que os outros fizeram de nós». Rematei com esta frase. A banda sonora não estava disponível na aula, mas segue aqui…uma espécie de «post mortem« da aula.



8.5.11

What we mean when we mean something...


Every word is like an unnecessary stain on silence and nothingness.
(S.Beckett)



4.5.11

Radiohead

The King of Limbs, já saído há quase 3 meses não é, do meu (modesto) ponto de vista um álbum magnífico,como já não não o era In Rainbows, mas há que admitir que Radiohead consegue ainda surpreender-nos. Sobretudo, há neste álbum três músicas para cima de fabulosas, em particular este Codex que é, simplesmente, SOBERBO.