30.10.11

We are basically alone...

...despite what all studies had shown...


27.10.11

Complexos ou complicados?

(uma espécie de resposta avant-garde à Daniela Fernandes...)

Não somos complexos; somos complicados. E é isto que nos torna humanos. Estás a ver, Daniela? Lá vamos nós dar ao mesmo. Somos os únicos seres capazes de pôr termo à vida e isso é o que nos torna estupidamente diferentes ou especiais. Porquê?? Porque somos complicados. Ponto. É que ser «complexo» dá-nos a ideia de um ser superior, misterioso, pleno de insondáveis, estranho, esquisito. Agora, ser complicado é muito mais chato!!! É claro que é mais cool dizer que se é complexo. Mas o que somos é mesmo complicados, senão, vejamos: passamos um tempo infinito a lamentarmo-nos do que somos, do que temos, querendo ser os outros, querendo ser ninguém, ansiando o que não temos, desejando ter o poder de mudar as circunstâncias que nos fizeram na esperança de mudarmos o que somos, enfim....uma choradeira. É o cabelo que é horrível, os dentes que são amarelos, a inteligência que deixa muito a desejar, os dedos que são pequenos, a unha encravada, as pernas tortas, o pequeno buço que ameaçada transformar-se numa bigodaça…whatever…uma lástima. No meio de toda esta tragédia ainda somos nós! Às vezes lá nos apanhamos paradoxalmente orgulhosos do que somos e tal, «eu sou mais eu» na tentativa de nos autoconvencermos disso. Uma espécie de minimanual de auto-ajuda que faz parte do providencial «kit de sobrevivência» com a natureza (divina ou não) nos criou. E eis que um fulaninho que não conhecemos de lado algum nos aborda com um «desculpe estar a reparar em si, mas é demasiado bonita». O quê???? Quem é este palhaço? Está parvo ou faz-se? Estas perguntas passam pela nossa cabeça todas em catadupa numa fração de segundos e numa fração de segundos pensamos se vamos dar-lhe um murro no meio dos olhos, espetar-lhe um balázio, insultá-lo ou pregar-lhe um valente estalo, como nos filmes! Mas eis que anos e anos de educação espartana substituem o balázio por qualquer coisa como « ah! Não é bem assim, mas agradeço na mesma!!». Estas palavras são acompanhadas por um sorriso amarelo e um olhar gélido que cospe faíscas. Afastamo-nos daquela situação incómoda. Estamos furiosos. Mas que é isto? Está o fulano a gozar, ou o quê? Curiosamente, até que gostamos do comentário, mesmo achando que o fulano vê mal, porque não somos nada do que ele disse. Ficamos ainda mais irritados porque até nos fez bem ouvir aquilo, mesmo sabendo que não é assim. Portanto, as mentiras parece que nos fazem bem, a ver pelo caso. E ficamos ainda mais irritados, porque percebemos que uma mentira nos fez, no fundo, sentir bem. Somos complicados. Depois, mais tarde, no café,  uma grande amiga diz-nos que somos insuportáveis, que temos um péssimo feitio e que mais vale falar para uma porta. O quê? Esta fulana está boa? Então não é suposto conhecer-me? Novamente a educação espartana entra em ação e em vez de mandarmos a amiga às urtigas saímo-nos com um enunciado hermético:« Não estou para ouvir isto. Lamento. Tenho de ir embora». E assim abandonamos a mesa do café dirigindo-nos em passo rápido para a saída. Também não gostámos do comentário; desta vez, porque não nos favorece. Mas afinal, o que é que queremos?
Moral da história nº1: nunca queremos ouvir o que colide com o que pensamos. Se é positivo, mas não coincide com a forma como nos vemos é um «deve estar parvo, este fulano!»; se é negativo e não coincide com o que pensamos é um «deve estar parva, esta fulana!». Em qualquer um dos casos entendemos que o que pensamos é que está certo. Ponto. Portanto, ou os outros dizem o que queremos ouvir, ou julgamos ser verdade, ou «estão parvos!».
Moral da história nº2: as mentiras que colidem com o que pensamos, mas que nos favorecem, são incomodamente irritantes; as verdades que colidem com o que pensamos e não nos favorecem são irritantemente incómodas.
 Moral da história nº3: a conversa da auto-estima é uma treta. Ninguém pode fazer nada por nós a não sermos nós mesmos. Ninguém pode levantar a nossa auto-estima, justamente porque é nossa (a designação é clara e nada complicada deste ponto de vista, se bem que o conceito seja complexo). Se queremos mudar alguma coisa, temos de começar por nos mudar a nós mesmos, ou viveremos a chispar pelos olhos o sentir que nos vai na alma.
Somos complexos? Não. Somos complicados.

11.10.11

Fake sparkle or golden dust?

As coisas têm a importância que nós lhes damos. Não há coisas importantes «em si». As coisas são ou não importantes «para alguém». Quando muitas pessoas, ou quase todas dão importância a uma coisa tendemos, erradamente, a pensar que essa coisa tem, «ela mesma», importância. É importante. Percebo a ideia, mas não concordo. Poderá alguém dizer «ah, mas se toda a gente dá importância a y, então é porque y é importante. O próprio y, com as suas características». Não, não penso que seja assim. Também isso é uma questão de aprendizagem, é uma questão cultural e até psicológica. Aprendemos a dar importância a y. Crescemos com os outros a dar importância a y, como se y fosse, ele mesmo, importante. Noutras circunstâncias, noutros contextos, y não teria importância alguma. O mesmo y. É uma questão de foco. É do ponto de vista do observador que se trata e não do observado. Muda-se o foco, muda a perceção. Crescemos convencidos da importância de algumas coisas e da inutilidade de outras. Pensamos que algumas são de tal modo importantes que fazem parte do quadro em que nos movemos. Quando arriscamos mudar as peças de lugar, percebemos a sua fragilidade. De todas. Sem exceção. Y parecia protegido pela importância reconhecida, mas pode revelar-se apenas naquilo que ele é em si, ou seja, nada. Cabe-nos a nós fazer das coisas alguma coisa. Arriscamo-nos a construir um mundo objetivamente inútil, sem reconhecimento exterior quando queremos que as coisas signifiquem o que queremos que signifiquem e não o que nos ensinaram que «significam». Mudar o foco do olhar é sempre virar o mundo às avessas .«It’s the end of the world as we know it».

6.10.11

Quando se «aparece», o que «transparece»?

É inevitável. Por feitio, defeito ou formação, há questões que voltam sistematicamente como um boomerang. E por mais que leia, reflita, estude, elas mantêm-se acesas e assaltam-se o pensamento nas mais variadas situações, desde uma fila de trânsito a um corredor do hipermercado. Como chegamos ao outro? O que é que de nós emerge num contacto? Num olhar? O que fica no outro com a minha «aparição»? O que «aparece»? «Aparece» vem de «parere» que significa «chegar à vista». O que «chega à vista» e mais…o que vai além dela? Até que ponto «transparecemos» o que somos? Sim, «transparecer» tem a mesma origem…«transparere», ou seja, «mostrar a luz através, deixar a luz atravessar» («trans» significa «através»). Que luz? E até onde chega ela? O que ilumina? O oculta? É tão ilusório querer chegar ao outro, quando mal sabemos a direção dos nossos braços! A sensação de ler o outro nos gestos, no não dito, na sugestão…mas o que nos aparece? Que essência? Que parte? Que resto de mundo? Somos tão eternamente estranhos a nós mesmos, mas achamos que podemos aparecer!!! Até usamos de forma tão leviana esta palavra no nosso dia a dia…«aparece!», dizemos a alguém que já não víamos há algum tempo, ou então, «nunca mais apareceste!!!!», dizemos a quem «desapareceu». Mas poderemos aparecer? Em alguma situação? É curioso esta palavra estar ligada ao sentido da visão, sentido ao qual damos normalmente tanto crédito, sentido que usamos maioritariamente, mas que é, sem dúvida, um dos mais suscetíveis de equívoco. E é daí que também vem a ideia do fantasma (aparição), aquele que estava oculto mas que agora se revela…a aparição…se revela à vista, se torna visível. Mas que captamos nós nessa «aparição» do outro quando nós próprios precisamos de «aparecer»?? Nada como «desaparecer» aqui deste texto ou os leitores deixam de «aparecer» por aqui!!

5.10.11

Cromos e trastes do passado



Hoje, decidi que estava na hora de fazer uma playlist nova para as minhas (longas) corridas. Então resolvi ir vasculhar pastas de músicas dos anos 80 - procuro sempre música com uma batida forte, senão não é fácil manter o ritmo! – e encontrei este cromo, verdadeira bso dos meus piores momentos!!!! Foi inevitável sorrir a abanar a cabeça ao ouvir de novo isto depois de tantos e tantos anos!!! Quanta baba e ranho em tardes passadas de agudo sofrimento amoroso!!! Que música!!! Era a loucura daqueles tempos…tocava em todo o lado…E depois esta fulana dizia tudo…falava de um traste que lhe fazia a vida negra!!! Ainda por cima tinha estilo, era bonita, sensual, um ícone de beleza para as adolescentes! Pois…e ela também passava por estas coisas, pensava eu!... Penso que qualquer adolescente da altura gostava desta música! Afinal, quem é que nunca se apaixonou loucamente por um traste??? Aquelas situações em que toda a gente diz o mesmo, desde a prof. matemática, à mãe e à colega da carteira do lado..só nós é que não enxergamos! Talvez seja essa a única paixão possível! Aquela que nos tolhe todo o raciocínio, o discernimento, a razão, o bom senso e a dignidade. A verdade é que me apaixonei por um traste e o que sofri por causa disso!!!! Acho que só a Kim Wilde me entendia!!! Penso que esse desgosto, vertido em lágrimas às quais esta música dava algum alento, foi o passo decisivo para a minha onda punk/gótica/esotérica. A partir desse momento percebi que a minha vida era outra. Devo isto as essas tardes de agonia.

2.10.11

O concerto

Um concerto extraordinário. Foi Peter Murphy/ Bauhaus, quase meio por meio. O Hard Club estava lotado. Lá dentro, como sempre, uma enorme e fiel família. Fiquei mesmo ali, a dois metros do palco. O Peter é, por si só, um espetáculo. A voz sempre, sempre portentosa...o porte, a energia, o charme. Enfim...o que lhe pode faltar? Cabelo...é isso que ele traz a menos de cada vez que cá vem!!! ehehhe
Antes do Peter tivemos de estar a ouvir um americano muito simpático por sinal e que até cantava benzinho, mas ao fim de duas músicas já chegava. Mas não...tocou umas poucas...foram mais ou menos 35 minutos (a passar), de espera pelo PM. E eis que entra, sempre em grande estilo e abre com Velocity Bird. Basicamente tocou as 4 primeiras faixas do novo álbum de enfiada e, depois, o concerto foi muito marcado por Bauhaus - In The Flat Field, Stigmata, Black Stone Heart, Bela Lugosi's, In the Flat Field, She's in Parties, The Passion of Lovers, All We Ever Wanted...sem ser por esta ordem - e algumas faixas emblemáticas do Murphy - Cuts you Up, Strange Kind of Love, I Fall with Your Knife...ainda houve I Spit Roses pelo meio e Uneven & Brittle.
Fiquei à espera de Never Fall Out ou Créme de la Créme, mas nada...nem nada de Dust, O álbum. Mas foi um concerto para cima de fabuloso, sempre a exceder as melhores expectativas. Não é muito comum, mas desta vez o Peter fartou-se de conversar e contar umas piadas...muito descontraído. Adorei. Encores, houve dois. A malta não se calou a entoar o «lá-lá-lá-lá-lá...» de Cuts You Up e a bater os pés e ele lá voltou duas vezes. De uma delas, arrepiou verdadeiramente com a sua versão de Hurt.
Se pudesse, marchava hoje mesmo, daqui a pouco, para Lisboa. Espera-se outro concerto em grande. Até lá...fico à espera de mais.

28.9.11

Peter Murphy

«Ninth» pode não ser O álbum, mas é um bom álbum sim, na minha modesta opinião. Não há grande consenso em relação ao álbum em si...há quem ache que não traz nada de novo. Eu sinto este álbum como um regresso às origens do Murphy, um álbum com energia, bastante «guitarrado». Absolutamente reconhecível. Peter Murphy. Sempre. «Never Fall Out», «Uneven & Brittle», «The Prince & The Old Lady Shade», enchem-me a alma. De todo. É impossível não se ficar enredado nestas faixas. Mas eu sou e serei sempre suspeita. Tenho uma profunda admiração por esta criatura que situo entre o divino e o sublime. Uma das melhores vozes que conheço. Um espetáculo sempre fabuloso. Sempre. Claro que depois de «Dust» a fasquia ficou muito alta. Para mim, «Dust» é, indiscutivelmente, o melhor álbum do Murphy, o álbum dos álbuns, aquele que não cabe em categoria alguma por transcender tudo o que dele se possa dizer. É denso, intrincado, misterioso, cifrado, místico. «Ninth» ouve-se de uma ponta à outra de uma forma fluida. «Dust» deixa-me num outro estado de consciência. Ainda assim, «Ninth» é um bom álbum sim. Mal posso esperar por sábado. Estarei presente, religiosamente e, lá na frente. Para ver se ele me dá o tal anel (eheheheh). Para não perder pitada. Para não me distrair um segundo. Para sair de lá mais completa.



22.9.11

.

Estou farta. Cansada. Farta. Cansada. Saturada. Farta. Farta. Farta. As mesmas voltas. Às voltas. Estou farta. De todo. Farta. Farta. Farta. Ponto. Ponto final.


2.8.11

Forward

O que importa depois de tudo o que importa?...
De que se fazem os passos, senão daquilo de que se foge?

25.7.11

Processing data

«...the wrong method with the wrong technique».
DM


2.7.11

If you catch my glance

Há coisas que são o que são tal e qual como são. Nada podemos fazer para as mudar sem lhes tirar o brilho. Marcam o limite do nosso poder. Intocáveis. Únicas. Absolutas. Reconhecê-lo é um passo de gigante. Aceitá-lo é sublime. Peter Murphy diz isso aqui, assim, como ninguém. Esta música é para sentir na pele. Não é para ouvir. É para tocar com a ponta dos dedos…



22.6.11

Precisamente porque queremos (?)

Até que ponto certas coisas são mesmo necessárias na nossa vida? Podemos sempre perguntar. Até que ponto confundimos a necessidade dessas coisas com a vontade de as ter? Com que objectividade ou rigor conseguimos separar as coisas que queremos das coisas de que precisamos? Tantas, mas tantas vezes confundimos uma coisa com a outra! Talvez queiramos as coisas e, então, justificamo-nos com a sua necessidade, ou talvez apenas necessitamos das coisas, mas inconformados com essa mera necessidade, lhe acrescentemos o querer...só para dar a «ilusão» de liberdade, do «eu quero». Ou será que, no limite, apenas necessitamos do que efectivamente queremos e uma coisa nada tem que ver com a outra? Aquilo que eu queremos faz-nos felizes. Aquilo que não queremos, não faz. Queremos e, por isso, precisamos das coisas. Se deixarmos de querer, deixamos de precisar delas. Deixam de ter lugar no meio das nossas necessidades. Mas o que nos faz querê-las senão a noção de que é disso que precisamos? Que nos são imprescindíveis, inadiáveis? Queremos e necessitamos. Conceitos que parecem provir de esferas distintas - uma, a da liberdade e a outra, a da inevitabilidade - mas que se cruzam, misturam e tendem a ser umaPres só, ou realidades distintas que mantemos, teimosamente separadas, no sentido de nos justificarmos.

16.6.11

Insubstituível

É muito difícil explicar o quanto gosto desta peça...é magistral. Foi a banda sonora de muitas e muitas horas de estudo em Coimbra, de muitos textos e pensamentos...não há como substituir isto por outra coisa. Jarrett é genial...vou e venho, percorro músicas e bandas, e todas muito boas, com toda a certeza...mas volto sempre aqui. Sempre.


11.6.11

Noise

De que te lembras quando te lembras? Que traço é esse na memória que te acorda?
O que esperas quando já não esperas? De que esperas são feitos os teus dias?
Quantos cheiros e fios de cabelo passeiam ainda por entre os teus dedos?
Que palavras te atordoam? Te paralisam? Te assaltam?
Que sonhos arrastas para além do sonho, nos momentos em que a lucidez se faz de imagens?
De que palavras foges? De que sentidos te escondes?
Onde é o precipício, essa vertigem de nada para onde a gravidade puxa?
Onde está o ar gelado das alturas que quebra as tuas asas?
De onde me falas quando te ouço?

7.6.11

Quando o mundo nos leva para longe de nós...

(não aprecio Mafalda Veiga, ou melhor, não gosto, mas algumas letras são fabulosas...estas linhas, em particular, dizem-me muito...)

Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve para longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num gesto só...

Eu vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu...
(M.Veiga)

5.6.11

Aguardando os resultados eleitorais...



Voar...

Este é um post quase repetido, mas hoje, hoje pareceu-me fazer tanto sentido...fica aqui de novo....

Mudar o foco do olhar…
Sentir que nada mais há do que o horizonte longínquo
que os pensamentos sobrevoam…
E fica o rasto de uma música feita nas estrelas
e o ar que se respira na alma…


31.5.11

What darkness is about

The depth of darkness to which you can descend and still live is an exact measure of the height to which you can aspire to reach