14.9.14

Sentir...


Tarde. Como sempre, tarde. Chega tarde...a casa, a todo o lado...à Vida. Chega tarde à Vida. E como em tudo, pé ante pé, num silêncio disfarçado, entra sem fazer ruído, sem ninguém dar por ela, apenas traída pelo perfume que emana e que se espalha no ar que respira como um doce veneno. Fecha os olhos e toca as paredes com as pontas dos dedos.

São os muros que a cercam...muros dentro de muros. Mas o silêncio dos seus leves passos ecoa na vida de alguém que não sabe para onde vai e se entrega ao perfume que se mistura com os sonhos esperando um sinal. Um gesto. Ou as palavras que não são ditas. Ou uma música. Ou um olhar. Ou simplesmente o silêncio que junta as suas vidas num nó cego.
 

29.7.14

A janela...


Não era preciso ser um sítio em particular. Nem nunca tinha pensado nisso. Até podia ser só um estado de alma. Ou um sentimento. Ou qualquer objeto onde pudesse fixar o olhar. Coincidir com alguma coisa. Era isso o que procurava. Naquele preciso momento. Pensava nisto, enquanto do lado de lá do vidro cheio de pó, a vida circulava confusa, vibrante, mas vazia e alheia à sua própria existência. E se aquele vidro fosse tudo? Sim…se aquele vidro separasse os seus pensamentos da vida vazia lá fora? E se aquele vidro fosse a diferença entre existir e querer ser alguma coisa? Não…era só um vidro….mas um vidro que separava o oxigénio que todos partilham, do peso dos dias que ninguém ousa carregar.  Esfregou os olhos lentamente, respirou fundo e sentiu que as palavras se lhe entalavam na garganta. Tapou os ouvidos, fechou os olhos. Um suspiro arrancado lá de dentro embaciou o vidro. E a vida ficou mais longe. E o ar mais quente. E os sonhos, esses…irrespiráveis.

10.4.13

Sempre...

«Sempre» é demasiado tempo. Muito tempo. Tempo demais. «Sempre» é o tempo que eterniza o momento, que o arrasta  para eternidade de forma perfeitamente imutável, cristalizada. «Sempre» é o tempo que não perdoamos à efemeridade do que somos, no que somos. Para «sempre» é o que não podemos circunscrever...este para «sempre» que nos aparece como a fatalidade do «nunca» que, no pólo exatamente oposto, espera que o «sempre» fracasse, como fracassa o «nunca», arrancado à impossibilidade do que não controlamos. Com a mesma resignação. Com a mesma inevitabilidade.
 
 
 
Esmagados pela promessa do «sempre», avançamos teimosamente no escuro...mas a verdade é que nunca chegaremos a ser coisa alguma. se não quisermos ser sempre e, ainda assim, mais do que julgamos ser...
 
 

15.12.11

Xmastrix


«O Pai Natal não existe! És uma palerma! Quem põe lá as prendas são os pais!». Foi assim, desta forma cruel, dilacerante e sem anestesia alguma que o meu irmão, um pseudo pré-adolescente de 12 anos, pôs fim às ilusões de uma miúda de 7: eu. Quando olho para trás à procura da primeira grande desilusão, ou da primeira e derradeira vez em que o mundo desabou sobre a minha cabeça, tropeço neste episódio! Aos 7 anos, o pequeno mundo cheio de certezas e de ordem desfazia-se em pedaços sob o olhar atento e quase maquiavélico do meu irmão que assistia à destruição maciça das minhas crenças, como se de uma obra de arte se tratasse, digna de contemplação e de mérito! Podia ter-me preparado…«olha, não achas estranha essa história do Pai Natal?», «ficavas muito triste se descobrisses que ele não existe?», «como é que ele pode existir?». Mas não. Foi a frio. Uma frase terrivelmente castrante dividida em três partes, nada à beira dos cacos em que o meu mundo se reduziu naqueles instantes! E muitas novidades, ao mesmo tempo, nesta história: o Pai Natal que afinal não existe; eu, que sou uma palerma; os meus pais que me enganam. Nem no The Matrix…pelo menos aí o Neo ainda teve a possibilidade de decidir se queria viver no mundo da ilusão ou se queria ver a realidade; quanto a mim, não tive essa sorte…o comprimido vermelho foi-me enfiado pela goela abaixo e nem tive tempo de dizer «ai». De repente, fico sem nada e apenas me pergunto pela mentira em que vivi durante esse tempo. Penso que é possível ser essa a raiz do meu amor pela Filosofia e pelas perguntas, mesmo sem me ter dado conta na altura. «O Pai Natal não existe» equivale a «o que é que eu tenho andado a fazer?», «qual é o sentido disto tudo?», «o que é a verdade?», «será que ela existe?», «quem tem o direito de nos roubar as ilusões?». Um rol imenso de perguntas intrinsecamente filosóficas que invadiram a minha cabeça esvaziada dos natais felizes em que a vida fazia sentido!!! Acho que depois de descobrir assim, a cru, que o pai Natal não existe, aprendi a relativizar as desilusões e a gerir mais inteligentemente as expectativas frustradas!!! Em suma, um miúdo de 12 anos pode arruinar-nos a vida lá de cima da sua falta de bom senso e piedade!! E o pior de tudo é que tem cúmplices!!! De uma só assentada, três terríveis conclusões com um efeito devastador: 1) os meus pais são adultos, supostamente modelos para o meu comportamento e mentem; 2) O Pai Natal não existe e tenho vivido numa enorme mentira e, portanto, por arrasto, que posso saber eu sobre o que julgo saber?; 3) eu, uma miúda que se considerava atenta, inteligente e esperta, em quem tantos amigos se reviam, sou uma palerma…quem sou eu afinal? O que sou eu?
Começou talvez assim o difícil e cativante hábito de «varrer» as coisas à procura de respostas.

7.12.11

O Medo



Tememos tantas coisas e tantas outras julgamos ou dizemos não temer por entendermos ser um qualquer sinal de fraqueza quando, no fundo, a única coisa a temer somos mesmo nós próprios. Porquê? Vejamos um exemplo: tememos falhar ou tememos errar. Entendemos que há uma dimensão da falha ou do erro que está fora do nosso controle e tememos não ter condições para sermos bem sucedidos, certo? Todavia em função de quê e em que proporção se define o erro ou a falha? Em última análise, em função de nós mesmos, já que somos nós que definimos o patamar que corresponde ao êxito e a linha abaixo da qual estamos no domínio do fracasso. Definimos o que é erro e o que é falha em função das expectativas que depositamos nas coisas que fazemos e em função do que entendemos ser bom ou mau e do que os outros esperam de nós. Se eu, por exemplo, prometer emprestar um livro a uma amiga com quem me vou encontrar e me esquecer de o levar, isso só é uma falha na exata medida em que eu tinha a expectativa de levar o livro e não me esquecer e, a amiga, a expectativa de que eu o levasse. Sentir-me mal por me ter esquecido e sentir que falhei dependem disto. Se não apostasse na quase impossibilidade de me esquecer não sentiria tão rotundamente a falha. Não estou, com isto, a querer dizer que o fracasso ou o sucesso estão, deste modo, entregues à pura subjetividade, longe de regras e convenções! De modo algum…o que estou a querer dizer é que a dimensão subjetiva do fracasso ou do êxito dependem, em muito, de nós. E o que é que isto tem que ver com medo? Tudo. Somos nós que definimos, em função de tudo isto, os fantasmas que nos habitam, ou os monstros que nos corroem. Fomos nós que os deixámos entrar, ganhar terreno, ditar as regras. Ou fomos nós que convencidos da incapacidade de ultrapassar fracassos e frustrações, fomos alimentando os pequenos monstros que cresceram à nossa revelia. E tudo sempre em virtude de que previamente definimos como metas, do que estabelecemos como expectativas tantas e tantas vezes minadas pela insegurança, pelo medo e pelas expectativas dos outros em relação a nós. E os fantasmas chamam fantasmas, e os medos chamam medos numa catadupa cumulativa que toma forma em nós sem nos darmos conta. E é de nós que temos de ter medo, porque é no mais fundo de nós que ele reside e é do nosso interior que ele se alimenta.

22.11.11

Raining

«It's raining again». It rained then, and it's raining now...but then we were young and beautiful...and hopeful



...«it's only time that heals the pain and makes the sun come out again...»

16.11.11

(Un)Shattered

It takes love over gold
and mind over matter
To do what you do that you must
When the things that you hold
can fall and be shattered
or run through your fingers like dust...
(M.K, Love Over Gold)


13.11.11

O peso dos passos

Dias há em que se nos enchem de peso os passos. A extensão infinita de areia que nos preenche o horizonte revela-se na sua impossibilidade. E nem o vento que de feição nos empurra para a frente, consegue levantar os pés quase enterrados na areia. Olhamos para eles como se não nos pertencessem, pedaços que já não são e que, por isso mesmo, nos impedem de sair dali. Não só se enterram no passado; enterram-se no futuro.
As pegadas deixadas para trás já se diluíram no sabor das ondas que vão e voltam. Ninguém nos pode seguir, ninguém nos pode encontrar. Ninguém sabe de onde saímos, que percurso fizemos, que lugar é este onde nos encontramos. Caminhamos sozinhos. Como se nunca tivéssemos saído. E nada muda nas ondas que vão e vêm indiferentes a tudo o resto.



30.10.11

We are basically alone...

...despite what all studies had shown...


27.10.11

Complexos ou complicados?

(uma espécie de resposta avant-garde à Daniela Fernandes...)

Não somos complexos; somos complicados. E é isto que nos torna humanos. Estás a ver, Daniela? Lá vamos nós dar ao mesmo. Somos os únicos seres capazes de pôr termo à vida e isso é o que nos torna estupidamente diferentes ou especiais. Porquê?? Porque somos complicados. Ponto. É que ser «complexo» dá-nos a ideia de um ser superior, misterioso, pleno de insondáveis, estranho, esquisito. Agora, ser complicado é muito mais chato!!! É claro que é mais cool dizer que se é complexo. Mas o que somos é mesmo complicados, senão, vejamos: passamos um tempo infinito a lamentarmo-nos do que somos, do que temos, querendo ser os outros, querendo ser ninguém, ansiando o que não temos, desejando ter o poder de mudar as circunstâncias que nos fizeram na esperança de mudarmos o que somos, enfim....uma choradeira. É o cabelo que é horrível, os dentes que são amarelos, a inteligência que deixa muito a desejar, os dedos que são pequenos, a unha encravada, as pernas tortas, o pequeno buço que ameaçada transformar-se numa bigodaça…whatever…uma lástima. No meio de toda esta tragédia ainda somos nós! Às vezes lá nos apanhamos paradoxalmente orgulhosos do que somos e tal, «eu sou mais eu» na tentativa de nos autoconvencermos disso. Uma espécie de minimanual de auto-ajuda que faz parte do providencial «kit de sobrevivência» com a natureza (divina ou não) nos criou. E eis que um fulaninho que não conhecemos de lado algum nos aborda com um «desculpe estar a reparar em si, mas é demasiado bonita». O quê???? Quem é este palhaço? Está parvo ou faz-se? Estas perguntas passam pela nossa cabeça todas em catadupa numa fração de segundos e numa fração de segundos pensamos se vamos dar-lhe um murro no meio dos olhos, espetar-lhe um balázio, insultá-lo ou pregar-lhe um valente estalo, como nos filmes! Mas eis que anos e anos de educação espartana substituem o balázio por qualquer coisa como « ah! Não é bem assim, mas agradeço na mesma!!». Estas palavras são acompanhadas por um sorriso amarelo e um olhar gélido que cospe faíscas. Afastamo-nos daquela situação incómoda. Estamos furiosos. Mas que é isto? Está o fulano a gozar, ou o quê? Curiosamente, até que gostamos do comentário, mesmo achando que o fulano vê mal, porque não somos nada do que ele disse. Ficamos ainda mais irritados porque até nos fez bem ouvir aquilo, mesmo sabendo que não é assim. Portanto, as mentiras parece que nos fazem bem, a ver pelo caso. E ficamos ainda mais irritados, porque percebemos que uma mentira nos fez, no fundo, sentir bem. Somos complicados. Depois, mais tarde, no café,  uma grande amiga diz-nos que somos insuportáveis, que temos um péssimo feitio e que mais vale falar para uma porta. O quê? Esta fulana está boa? Então não é suposto conhecer-me? Novamente a educação espartana entra em ação e em vez de mandarmos a amiga às urtigas saímo-nos com um enunciado hermético:« Não estou para ouvir isto. Lamento. Tenho de ir embora». E assim abandonamos a mesa do café dirigindo-nos em passo rápido para a saída. Também não gostámos do comentário; desta vez, porque não nos favorece. Mas afinal, o que é que queremos?
Moral da história nº1: nunca queremos ouvir o que colide com o que pensamos. Se é positivo, mas não coincide com a forma como nos vemos é um «deve estar parvo, este fulano!»; se é negativo e não coincide com o que pensamos é um «deve estar parva, esta fulana!». Em qualquer um dos casos entendemos que o que pensamos é que está certo. Ponto. Portanto, ou os outros dizem o que queremos ouvir, ou julgamos ser verdade, ou «estão parvos!».
Moral da história nº2: as mentiras que colidem com o que pensamos, mas que nos favorecem, são incomodamente irritantes; as verdades que colidem com o que pensamos e não nos favorecem são irritantemente incómodas.
 Moral da história nº3: a conversa da auto-estima é uma treta. Ninguém pode fazer nada por nós a não sermos nós mesmos. Ninguém pode levantar a nossa auto-estima, justamente porque é nossa (a designação é clara e nada complicada deste ponto de vista, se bem que o conceito seja complexo). Se queremos mudar alguma coisa, temos de começar por nos mudar a nós mesmos, ou viveremos a chispar pelos olhos o sentir que nos vai na alma.
Somos complexos? Não. Somos complicados.

11.10.11

Fake sparkle or golden dust?

As coisas têm a importância que nós lhes damos. Não há coisas importantes «em si». As coisas são ou não importantes «para alguém». Quando muitas pessoas, ou quase todas dão importância a uma coisa tendemos, erradamente, a pensar que essa coisa tem, «ela mesma», importância. É importante. Percebo a ideia, mas não concordo. Poderá alguém dizer «ah, mas se toda a gente dá importância a y, então é porque y é importante. O próprio y, com as suas características». Não, não penso que seja assim. Também isso é uma questão de aprendizagem, é uma questão cultural e até psicológica. Aprendemos a dar importância a y. Crescemos com os outros a dar importância a y, como se y fosse, ele mesmo, importante. Noutras circunstâncias, noutros contextos, y não teria importância alguma. O mesmo y. É uma questão de foco. É do ponto de vista do observador que se trata e não do observado. Muda-se o foco, muda a perceção. Crescemos convencidos da importância de algumas coisas e da inutilidade de outras. Pensamos que algumas são de tal modo importantes que fazem parte do quadro em que nos movemos. Quando arriscamos mudar as peças de lugar, percebemos a sua fragilidade. De todas. Sem exceção. Y parecia protegido pela importância reconhecida, mas pode revelar-se apenas naquilo que ele é em si, ou seja, nada. Cabe-nos a nós fazer das coisas alguma coisa. Arriscamo-nos a construir um mundo objetivamente inútil, sem reconhecimento exterior quando queremos que as coisas signifiquem o que queremos que signifiquem e não o que nos ensinaram que «significam». Mudar o foco do olhar é sempre virar o mundo às avessas .«It’s the end of the world as we know it».

6.10.11

Quando se «aparece», o que «transparece»?

É inevitável. Por feitio, defeito ou formação, há questões que voltam sistematicamente como um boomerang. E por mais que leia, reflita, estude, elas mantêm-se acesas e assaltam-se o pensamento nas mais variadas situações, desde uma fila de trânsito a um corredor do hipermercado. Como chegamos ao outro? O que é que de nós emerge num contacto? Num olhar? O que fica no outro com a minha «aparição»? O que «aparece»? «Aparece» vem de «parere» que significa «chegar à vista». O que «chega à vista» e mais…o que vai além dela? Até que ponto «transparecemos» o que somos? Sim, «transparecer» tem a mesma origem…«transparere», ou seja, «mostrar a luz através, deixar a luz atravessar» («trans» significa «através»). Que luz? E até onde chega ela? O que ilumina? O oculta? É tão ilusório querer chegar ao outro, quando mal sabemos a direção dos nossos braços! A sensação de ler o outro nos gestos, no não dito, na sugestão…mas o que nos aparece? Que essência? Que parte? Que resto de mundo? Somos tão eternamente estranhos a nós mesmos, mas achamos que podemos aparecer!!! Até usamos de forma tão leviana esta palavra no nosso dia a dia…«aparece!», dizemos a alguém que já não víamos há algum tempo, ou então, «nunca mais apareceste!!!!», dizemos a quem «desapareceu». Mas poderemos aparecer? Em alguma situação? É curioso esta palavra estar ligada ao sentido da visão, sentido ao qual damos normalmente tanto crédito, sentido que usamos maioritariamente, mas que é, sem dúvida, um dos mais suscetíveis de equívoco. E é daí que também vem a ideia do fantasma (aparição), aquele que estava oculto mas que agora se revela…a aparição…se revela à vista, se torna visível. Mas que captamos nós nessa «aparição» do outro quando nós próprios precisamos de «aparecer»?? Nada como «desaparecer» aqui deste texto ou os leitores deixam de «aparecer» por aqui!!

5.10.11

Cromos e trastes do passado



Hoje, decidi que estava na hora de fazer uma playlist nova para as minhas (longas) corridas. Então resolvi ir vasculhar pastas de músicas dos anos 80 - procuro sempre música com uma batida forte, senão não é fácil manter o ritmo! – e encontrei este cromo, verdadeira bso dos meus piores momentos!!!! Foi inevitável sorrir a abanar a cabeça ao ouvir de novo isto depois de tantos e tantos anos!!! Quanta baba e ranho em tardes passadas de agudo sofrimento amoroso!!! Que música!!! Era a loucura daqueles tempos…tocava em todo o lado…E depois esta fulana dizia tudo…falava de um traste que lhe fazia a vida negra!!! Ainda por cima tinha estilo, era bonita, sensual, um ícone de beleza para as adolescentes! Pois…e ela também passava por estas coisas, pensava eu!... Penso que qualquer adolescente da altura gostava desta música! Afinal, quem é que nunca se apaixonou loucamente por um traste??? Aquelas situações em que toda a gente diz o mesmo, desde a prof. matemática, à mãe e à colega da carteira do lado..só nós é que não enxergamos! Talvez seja essa a única paixão possível! Aquela que nos tolhe todo o raciocínio, o discernimento, a razão, o bom senso e a dignidade. A verdade é que me apaixonei por um traste e o que sofri por causa disso!!!! Acho que só a Kim Wilde me entendia!!! Penso que esse desgosto, vertido em lágrimas às quais esta música dava algum alento, foi o passo decisivo para a minha onda punk/gótica/esotérica. A partir desse momento percebi que a minha vida era outra. Devo isto as essas tardes de agonia.

2.10.11

O concerto

Um concerto extraordinário. Foi Peter Murphy/ Bauhaus, quase meio por meio. O Hard Club estava lotado. Lá dentro, como sempre, uma enorme e fiel família. Fiquei mesmo ali, a dois metros do palco. O Peter é, por si só, um espetáculo. A voz sempre, sempre portentosa...o porte, a energia, o charme. Enfim...o que lhe pode faltar? Cabelo...é isso que ele traz a menos de cada vez que cá vem!!! ehehhe
Antes do Peter tivemos de estar a ouvir um americano muito simpático por sinal e que até cantava benzinho, mas ao fim de duas músicas já chegava. Mas não...tocou umas poucas...foram mais ou menos 35 minutos (a passar), de espera pelo PM. E eis que entra, sempre em grande estilo e abre com Velocity Bird. Basicamente tocou as 4 primeiras faixas do novo álbum de enfiada e, depois, o concerto foi muito marcado por Bauhaus - In The Flat Field, Stigmata, Black Stone Heart, Bela Lugosi's, In the Flat Field, She's in Parties, The Passion of Lovers, All We Ever Wanted...sem ser por esta ordem - e algumas faixas emblemáticas do Murphy - Cuts you Up, Strange Kind of Love, I Fall with Your Knife...ainda houve I Spit Roses pelo meio e Uneven & Brittle.
Fiquei à espera de Never Fall Out ou Créme de la Créme, mas nada...nem nada de Dust, O álbum. Mas foi um concerto para cima de fabuloso, sempre a exceder as melhores expectativas. Não é muito comum, mas desta vez o Peter fartou-se de conversar e contar umas piadas...muito descontraído. Adorei. Encores, houve dois. A malta não se calou a entoar o «lá-lá-lá-lá-lá...» de Cuts You Up e a bater os pés e ele lá voltou duas vezes. De uma delas, arrepiou verdadeiramente com a sua versão de Hurt.
Se pudesse, marchava hoje mesmo, daqui a pouco, para Lisboa. Espera-se outro concerto em grande. Até lá...fico à espera de mais.

28.9.11

Peter Murphy

«Ninth» pode não ser O álbum, mas é um bom álbum sim, na minha modesta opinião. Não há grande consenso em relação ao álbum em si...há quem ache que não traz nada de novo. Eu sinto este álbum como um regresso às origens do Murphy, um álbum com energia, bastante «guitarrado». Absolutamente reconhecível. Peter Murphy. Sempre. «Never Fall Out», «Uneven & Brittle», «The Prince & The Old Lady Shade», enchem-me a alma. De todo. É impossível não se ficar enredado nestas faixas. Mas eu sou e serei sempre suspeita. Tenho uma profunda admiração por esta criatura que situo entre o divino e o sublime. Uma das melhores vozes que conheço. Um espetáculo sempre fabuloso. Sempre. Claro que depois de «Dust» a fasquia ficou muito alta. Para mim, «Dust» é, indiscutivelmente, o melhor álbum do Murphy, o álbum dos álbuns, aquele que não cabe em categoria alguma por transcender tudo o que dele se possa dizer. É denso, intrincado, misterioso, cifrado, místico. «Ninth» ouve-se de uma ponta à outra de uma forma fluida. «Dust» deixa-me num outro estado de consciência. Ainda assim, «Ninth» é um bom álbum sim. Mal posso esperar por sábado. Estarei presente, religiosamente e, lá na frente. Para ver se ele me dá o tal anel (eheheheh). Para não perder pitada. Para não me distrair um segundo. Para sair de lá mais completa.



22.9.11

.

Estou farta. Cansada. Farta. Cansada. Saturada. Farta. Farta. Farta. As mesmas voltas. Às voltas. Estou farta. De todo. Farta. Farta. Farta. Ponto. Ponto final.


2.8.11

Forward

O que importa depois de tudo o que importa?...
De que se fazem os passos, senão daquilo de que se foge?

25.7.11

Processing data

«...the wrong method with the wrong technique».
DM